sexta-feira, 19 de abril de 2013
quinta-feira, 28 de março de 2013
Confissão nº 33
Eu vi minha vida ramificando-se diante de mim como a figueira verde da história. Na ponta de cada galho, como um figo gordo e roxo, um futuro maravilhoso acenava e piscava. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos, outro era uma poetisa famosa e consagrada, outro era uma professora brilhante, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro era Constantino e Sócrates e Átila e outros vários amantes com nomes exóticos e profissões excêntricas, outro ainda era uma campeã olímpica. E, acima de tais figos, havia muitos outros. Eu não conseguia prosseguir. Encontrei-me sentada na forquilha da figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia optar entre um dos figos. Eu gostaria de devorar a todos, mas escolher um significava perder todos os outros. Talvez querer tudo signifique não querer nada. Então, enquanto eu permanecia sentada, incapaz de optar, os figos começaram a murchar e escurecer e, um por um, despencar aos meus pés.
Sylvia Plath
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Confissão nº 32
Naufrágio
E temo, e temo tudo, e nem sei o que temo.
Perde-se o meu olhar pelas trevas sem fim.
Medonha é a escuridão do céu, de extremo a extremo...
De que noite sem luar, mísero e triste, vim?
Perde-se o meu olhar pelas trevas sem fim.
Medonha é a escuridão do céu, de extremo a extremo...
De que noite sem luar, mísero e triste, vim?
Amedronta-me a terra, e se a contemplo, tremo.
Que mistério fatal corveja sobre mim?
E ao sentir-me no horror do caos, como um blasfemo,
Não sei por que padeço, e choro, e anseio assim.
Que mistério fatal corveja sobre mim?
E ao sentir-me no horror do caos, como um blasfemo,
Não sei por que padeço, e choro, e anseio assim.
A saudade tirita aos meus pés: vai deixando
Atrás de si a mágoa e o sonho...E eu, miserando,
Caminho para a morte alucinado e só.
Atrás de si a mágoa e o sonho...E eu, miserando,
Caminho para a morte alucinado e só.
O naufrágio, meu Deus! Sou um navio sem mastros.
Como custa a minha alma a transformar-se em astros,
Como este corpo custa a desfazer-se em pó!
Como custa a minha alma a transformar-se em astros,
Como este corpo custa a desfazer-se em pó!
Alphonsus de Guimaraens
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Confissão nº 28
O que dói mais
Não é o que corta
Não é o que sangra
O dói mais é a ausência
É o não sentir
É se tornar apático
Invisível nos momentos mais visíveis
O que dói mais
É procurar uma palavra
Para explicar o que se sente
E perceber que não existe nenhuma
Para explicar quando simplesmente
Não se sente
O que dói mais não é sangrar
O que dói mais é chorar
É sentir tudo ao mesmo tempo
Sem sentir nada
O que dóis mais
Não é o que se diz
É o que não pode ser dito
É o que fica preso na garganta
E angustia o coração.
Não é o que corta
Não é o que sangra
O dói mais é a ausência
É o não sentir
É se tornar apático
Invisível nos momentos mais visíveis
O que dói mais
É procurar uma palavra
Para explicar o que se sente
E perceber que não existe nenhuma
Para explicar quando simplesmente
Não se sente
O que dói mais não é sangrar
O que dói mais é chorar
É sentir tudo ao mesmo tempo
Sem sentir nada
O que dóis mais
Não é o que se diz
É o que não pode ser dito
É o que fica preso na garganta
E angustia o coração.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Confissão nº 27
Veja o que eu fiz
Afastei quem eu queria perto
Me tranquei sozinha
Dentro de mim mesma
E joguei a chave fora
Admito que tive medo
De deixar alguém entrar
Medo de alguém me machucar
Tive medo de errar
E me envergonhar
Agora estou presa em mim
Não sei mais como me abrir
A chave, nem sei mais onde está
E nem sei onde procurar
E o medo?
Continua aqui
Agora trancado,
Junto de mim.
Afastei quem eu queria perto
Me tranquei sozinha
Dentro de mim mesma
E joguei a chave fora
Admito que tive medo
De deixar alguém entrar
Medo de alguém me machucar
Tive medo de errar
E me envergonhar
Agora estou presa em mim
Não sei mais como me abrir
A chave, nem sei mais onde está
E nem sei onde procurar
E o medo?
Continua aqui
Agora trancado,
Junto de mim.
domingo, 25 de novembro de 2012
Confissão nº 26
O tempo vai passando e as coisas vão se tornando cada vez mais complicadas, eu nem achava que isso fosse possível.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Confissão nº 25
Nightly it flaps out
Looking, with its hooks, for something to love.
I am terrified by this dark thing
That sleeps in me;
All day I feel its soft, feathery turnings, its malignity.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Confissão nº 24
Me sinto dormente, não sei se são os remédios, ou se é a minha vida, que se tornou assim, tão sem graça, mas ao mesmo tempo tão irreal.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Confissão nº 23
Me sinto tão sozinha agora. Procuro alguém pra conversar, alguém que vá entender, e percebo que não tem ninguém. Aí eu acabo guardando as coisas só para mim mesma, e isso machuca. E muito. Queria poder dividir tudo que passa pela minha cabeça com alguém, e queria que esse alguém não achasse que eu sou maluca, como a maioria das pessoas já pensam.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Confissão nº 22
"Não podíamos imaginar o vazio de uma criatura que encosta uma navalha nos pulsos e abre as veias, o vazio e a calma."
As Virgens Suicidas.
As Virgens Suicidas.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Confissão nº 20
Eu sei que eu vou ser sempre assim, que eu nunca vou superar totalmente os problemas que eu tenho. Isso já faz parte de mim. Mas não quer dizer que machuque menos, ainda machuca muito. E machuca também as pessoas perto de mim, e é isso que me preocupa, eu não quero magoar ninguém. É mais fácil ver a minha dor do que a dor das pessoas que eu amo.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Confissão nº 18
"That's when the pain comes in like a second skeleton, trying to fit beneath the skin, I can't fit the feelins in."
Confissão nº 17
” Não, agora nunca mais diria, de ninguém neste mundo, que eram isto ou aquilo. Sentia-se muito jovem; e, ao mesmo tempo, indizivelmente velha. Passava como uma navalha através de tudo, e ao mesmo tempo ficava de fora, olhando. Tinha a perpétua sensação, enquanto olhava os carros, de estar fora, longe e sozinha no meio do mar: sempre sentira que era muito, muito perigoso viver, por um só dia que fosse. “
Mrs. Dalloway – Virginia Woolf
Mrs. Dalloway – Virginia Woolf
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Confissão nº 16
Juntando todas as minhas forças para superar todos os meus problemas. Meus medos, minhas angústias... Minha tristeza.
Espero conseguir.
Espero conseguir.
domingo, 30 de setembro de 2012
Confissão nº 15
Não sei como isso começou, mas sinto que essa sensação, tão ruim, tão incomoda, já faz parte de mim. Acho que sem ela eu nem me reconheceria. Eu não conheço outra eu que não a deprimida.
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